Sobram razões para ir à luta

A Greve Geral a realizar no próximo dia 24 de Novembro, está a ser construída em unidade nos locais de trabalho, rejeitando interesses particulares e assumindo a defesa dum projecto de sociedade que garanta e respeite a dignidade dos trabalhadores, dos desempregados, dos reformados, dos precários e de todos e todas que não aceitam como inevitável o assalto austeritário que este Governo e a troika estão a levar a cabo contra a grande maioria do povo. Sabemos que o caminho da brutal austeridade que nos querem impor não leva a nenhuma saída favorável à maioria dos cidadãos e só agrava as muitas desigualdades já existentes e diminui substancialmente as condições de vida dos que vivem do trabalho, como está bem à vista na Irlanda e muito particularmente na Grécia. Hoje a Greve Geral em nada se compara com qualquer clima insurreccional, nem pretende derrubar de imediato o Governo. Representa um enorme e forte protesto social e é feita pela nossa dignidade. Fazemos a Greve Geral: * Porque rejeitamos empobrecer para pagar uma dívida que não é nossa e por isso exigimos uma auditoria cidadã e a sua renegociação. Não devemos pagar o preço duma crise que é dos bancos e do sistema. * Porque a precariedade não é um processo natural de emprego, mas sim politicamente orientado e por isso reversível. Não nos resignamos ao trabalho sem direitos. * Porque em nome da competitividade, querem desvalorizar e reduzir os custos do trabalho. * Para defender os salários directos e indirectos e assim permitir que o consumo das famílias tenha um nível que lhes permita não cair na pobreza ou mesmo na miséria. * Para que o horário de trabalho não seja aumentado e a sua organização não passe exclusivamente para as mãos do patrão, retirando aos trabalhadores o direito a conciliar a sua actividade profissional com a vida familiar. Esta medida nem sequer para o “pagamento da dívida” serviria, mas unicamente para encher os bolsos dos patrões. Não aceitamos regressar ao século XIX. * Contra a redução das indemnizações por despedimento que o Governo quer aplicar a todos os contratos. * Contra a diminuição da protecção social dos desempregados. * Contra o roubo dos subsídios de Natal e Férias e os cortes nos salários dos trabalhadores da Administração Pública e do Sector Empresarial do Estado. * Contra o aumento do desemprego, cuja taxa oficial no 3º Trimestre de 2011 subiu para 12,4% (689.600), mas em termos efectivos são de 18,2% ou seja 1.042.600 homens e mulheres e destes só 296.300 recebiam subsídio de desemprego no final de Setembro. Não esgotámos todas as medidas elencadas pelo Governo e troika para piorar as nossas vidas e já nos sobram razões para ir à luta e fazermos uma grande Greve Geral, que tudo aponta será maior ainda que a realizada em 2010. Percebemos que esta política de ajuste de contas com o 25 de Abril de 1974, verdadeiramente irresponsável em termos económicos e conduzida de forma ideológica leva à destruição do Estado Social e a um minorar da democracia. Esta é uma razão acrescida para fazermos a Greve Geral. Nesta Greve Geral, vamos também afirmar que há políticas alternativas e exequíveis que defendem o emprego, melhoram salários e pensões, garantem a protecção social universal e uma mais justa distribuição da riqueza. Esta Greve Geral será ainda um forte contributo para que no espaço europeu a luta pelo crescimento económico, contra o desemprego se reforce e seja dado mais um passo na articulação e convergência das lutas dos trabalhadores e povos da Europa. Por tudo isto no dia 24 de Novembro vamos fazer Greve Geral e manifestar nas praças e nas ruas, que são nossas, a força da nossa razão.

 

Francisco Alves, dirigente sindical

A COMUNA

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publicado por António Veríssimo às 12:16 link do post | comentar | favorito