Governo esquece centenário de grandes escritores

O governo de Pedro Passos Coelho, cuja pasta cultural é da responsabilidade do secretário de Estado Francisco José Viegas, escritor, esqueceu-se do centenário do nascimento dos escritores Alves Redol e de Manuel da Fonseca.

Baptista Bastos, em artigo publicado no Diário de Noticias, escreve que Alves Redol e de Manuel da Fonseca “são dois dos maiores escritores da literatura portuguesa, mas eram neo-realistas e, por isso, desdenhados pela miuçalha que voeja nos canais da cultura”. E o governo actual, continua o jornalista/escritor, “não é propriamente um arfante frequentador de livros. Basta ouvi-los. Aquela constante troca da expressão "competitividade" por "competividade" causa apreensão”.

“O governo cumpre o seu papel de os esquecer. O nosso, é o de sacudir estas inércias, e relembrá-los, com emoção e orgulho”, remata o cronista do DN.

Carlos Albano Henriques, professor aposentado, acha que “grande parte dos nossos governantes culturalmente são uns aculturados, isto é uns broncos que não lêem e se não tivessem uma calculadora ao lado, borravam as contas do Orçamento de Estado”.

“Somos governados por burgessos”, remata aquele professor.

Pedro Rodrigues, dirigente do Bloco de Esquerda, diz que esta atitude “não é esquecimento mas sim desprezo”. Um desprezo, sublinha, “que resulta da profunda incompreensão, por parte dos governos recentes, do papel que a cultura pode desempenhar no desenvolvimento do país. E que se manifesta em "esquecimentos" vários, na diminuição dos orçamentos até níveis absurdos e num discurso populista contra os artistas e demais profissionais da cultura”.

Aquele dirigente bloquista acha que “quando o Estado abdica do seu papel nesta matéria, não é só a cultura que é atirada para "o cesto dos papéis". Porque as manifestações artísticas e culturais são o essencial da identidade um povo, é o próprio país que está a ser atirado para o lixo, ao abrigo da mais perigosa das políticas de austeridade: a austeridade das ideias e da liberdade de criação”.

 

 

 

 

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publicado por António Veríssimo às 14:19 link do post | comentar | favorito